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Os filmes de ficção científica sempre primaram por instigar a perspectiva do que seria o nosso “futuro”. Na série Jornada nas Estrelas, criada em 1964 pelo produtor e roteirista Gene Roddenberry, oficiais da Frota Estelar[1] atuariam em defesa dessa espécie de ONU do espaço. Em um de seus episódios, formas ainda desconhecidas de vida conseguem passar pelos escudos defletores[2] da nave, chegam à sala de comando e iniciam um diálogo com o comandante através do pensamento. Só depois, materializam-se com uma forma humana para explicar que são viajantes do tempo, vieram do futuro e são da Terra.

Esse episódio vislumbra algumas probabilidades para o futuro: a comunicação através do pensamento, a viagem através do espaço-tempo e a capacidade de materialização dessa energia, que não mais utiliza um corpo. Nenhuma delas, no entanto, encontra justificativa científica atual. Mas se nos basearmos na Doutrina Espírita, alguns experimentos “do futuro” podem fazer certo sentido. A começar pela existência de outros tipos de vida fora de nosso planeta, como afirmou Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João, 14:2-3) e “Meu reino não é deste mundo” (João, 18:36).

A Ciência e a Religião estariam, assim, aliadas nessa “descoberta”, embora sabendo que, no momento em que estas frases foram proferidas, quem as ouviu ainda não tinha capacidade de compreendê-las. E muito do que a Ciência ainda não comprova gera, no mínimo, desconforto aos que negam fontes não científicas.

Comparemos esses dois exemplos ao que afirma Allan Kardec no livro A Gênese: enquanto Espíritos imortais, construímos nossa evolução através de sucessivas encarnações; e que dependemos da nossa evolução (moral, espiritual e intelectual) para compreender ensinamentos mais avançados apresentados por Jesus.

Um deles, em particular, aguça a nossa curiosidade: o próprio Cristo reiterou que estamos fadados a evoluir (para isso estamos aqui). Ele chegou a resgatar a expressão “vós sois deuses”, encontrada no Salmo 82 do Antigo Testamento, para exemplificar a condição de imortalidade do Espírito; e que, ao atingirmos níveis espirituais mais elevados, seremos capazes de práticas consideradas não humanas (divinas). O que nos tornaria deuses!

De forma mais genérica, o estudo de A Gênese poderia trazer muitos esclarecimentos que deixariam o episódio de Jornada nas Estrelas parecer brincadeira de criança. Diversos trechos falam da constituição da vida em nosso planeta; da existência de outros mundos igualmente habitados, mas por seres de outra compleição; e que a Lei da Natureza está intrinsecamente ligada à Criação. Com a frase “A Ciência é chamada a constituir a verdadeira Gênese, segundo a lei da natureza[3], Allan Kardec evidencia que ambas caminham lado a lado, não sendo, portanto, antagônicas.

Mas o que, de fato, nos permite compreender que seremos deuses? A resposta: “somos seres penetrados pelo fluido divino, soberanamente inteligente”[4]. Não se trata apenas de fé ou pensamento positivo, mas de compreender que há uma centelha divina – nossa mola propulsora para a evolução que importa!

Ao transcrever sua experiência com os Espíritos, o Codificador gerou a primeira pergunta que está em O Livro dos Espíritos, sobre o que é Deus. A definição dada pelo Plano Espiritual é: “Deus é a inteligência Suprema do Universo e causa primária de todas as coisas”. E somos uma partícula dessa Inteligência, como faísca que se desprende do Criador e vem aprimorar-se através dessas existências.

O caminho para essa evolução passa obrigatoriamente pela caridade, pois somos parte de Deus, que é amor. É o que nos norteia o Espírito de Verdade, no Capítulo XV, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “Fora da caridade não há salvação”. Somos capazes de realizar trabalhos de auxílio ao próximo inclusive após nosso desencarne, através de diversas colônias espirituais. Um ótimo exemplo está no livro “Nas Fronteiras da Nova Era[5], de Suely Caldas Schubert, que realiza uma leitura das obras de Manoel Philomeno de Miranda “Transição Planetária” e “Amanhecer de Uma Nova Era”, ambos psicografados por Divaldo Pereira Franco.

Na primeira parte do livro, o foco está no tsunami ocorrido na Indonésia em 2004, com mais de 227 mil desencarnes. A autora descreve o atendimento dado às vítimas por uma equipe socorrista espiritual, e seus integrantes teriam várias origens religiosas, quando encarnados. Essa informação, se isolada, pode não representar um substrato muito consistente ao tema aqui abordado, mas mostra nossa universalidade, nossa capacidade de vencer a barreira física e se associar a outros irmãos, na caridade. Seriam, grosso modo, como os viajantes daquela nave espacial da TV, mas com a missão de socorrer vítimas de uma catástrofe coletiva, dotados de ferramentas morais, intelectuais e espirituais adequadas para focar no bem.

“Sois Deuses”, uma determinação do Alto, pode parecer um tanto distante para alguns encarnados, mas é impossível negar sua credibilidade, quando compreendemos que somos partícipes do Pai, do que somos feitos e para onde vamos. Como convém, a um Espírito a caminho da evolução.

Vanda

[1] Nome dado a uma organização interplanetária, segundo o criador da série.

[2] Escudos invisíveis, criados através de barreira de energia, segundo a série; eles não existem fora da ficção científica;

[3] A Gênese, FEB, cap. IV (Papel da Ciência na Gênese), item 3, pág.76;

[4] Idem, Cap. III (O Bem e o Mal), item 15, pág. 70;

[5] Nas Fronteiras da Nova Era, Suely Caldas Schubert; ebm Editora; 1ª edição, 2017.

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