Ao longo dos tempos, as crenças nas coisas transcendentais vinham sendo transmitidas no recesso dos lares e nas comunidades, sob a orientação de um líder formado em parcas letras e muitos dogmas. Infundia-se o medo da vingança divina aos menores desvios das regras pétreas. Místico era aquele que decorava as letras das Escrituras e se intitulava missionário. A verdade acanhada bastava aos profitentes. As religiões oficializaram-se, universalizaram-se, mas o Homem continuou com a visão turva sobre o aspecto filosófico em torno de suas razões de existir no presente e mais turva ainda quanto ao seu futuro.

O Ser humano evoluiu em todos os sentidos e nessa trajetória percebeu que aquelas diretrizes já não se adequavam ao seu íntimo pesquisador, inquiridor, ávido por desvendar a Verdade sobre si mesmo e o extrassensorial.  A fé cega, imposta pela família e pela Igreja deu lugar a questionamentos lógicos, sensatos. A razão substituiu a submissão.  O aprendiz de hoje questiona aspectos da catequese quando põe em xeque os ensinamentos religiosos fragmentados e inconclusivos seja quanto ao Velho Testamento, seja quanto ao Evangelho de Jesus.

A Verdade – verdadeira quanto possível ao nosso estágio evolutivo, é certo – constitui a rocha viva sobre a qual haveremos de edificar nossa casa mental, sede do Espírito imortal. Consciente de sua relevância, porque dela depende para alcançar sua Liberdade, condição para o gozo da Felicidade, o Homem a persegue com os elementos cognitivos e racionais a seu dispor.

Mas, por mais que leia, letra por letra, versículo por versículo, nas Escrituras e no Evangelho, não terá acesso a essa Verdade libertadora ante algumas gritantes contradições naquelas e hermeticidades neste, carentes de aclaramento. Recorramos a dois exemplos básicos: 1 – na Bíblia Sagrada, não se encontra explicação para a formação de uma família iniciada unicamente com um homem e uma mulher (Adão e Eva), e posteriormente multiplicada com o casamento de Caim (com quem?), seu único filho sobrevivente (Gênesis 4:17), com capacidade para habitar regiões inatingíveis. Em vez de uma teoria segundo a qual todo o gênero humano procede de uma individualidade única, mais racional é admitir a informação doutrinária de que o Planeta habitado por raças primitivas, recebeu Espíritos provenientes de outras esferas, que deram origem a uma nova raça simbolizada na pessoa de Adão, e por isso denominada de raça adâmica ([i]); 2 – as parábolas de Jesus, também aparentemente incompreensíveis e paradoxais, se visualizadas em sua literalidade, como a que cuida da maldição da figueira estéril (Mateus 21:18. Marcos 11:12-14), vegetal que não poderia mesmo dar frutos na época em que Jesus o visitou juntamente com os discípulos, serviu de mote para lhes transmitir uma profunda lição sobre a esterilidade espiritual do homem, embora dotado de condições para produzir frutos a todo o tempo, a despeito das adversidades.

Como não o concebe por falta de visão espiritual em torno das questões, nelas encontrando apenas o aspecto material revelado pela literalidade, “limitam-se (os crentes) a certas práticas cristãs externas, ou se tornam totalmente indiferentes à mensagem do Cristo”, no dizer de Huberto Rohden in Sabedoria das parábolas – pág. 79. Em casos como esses, sente-se literalmente perdido, refém de uma cegueira espiritual advinda do berço, órfão de quem lhe possa apontar um caminho efetivamente seguro, bem fundamentado, indene de omissões, dúvidas ou contradições, para uma iniciação sem volta. No Espiritismo encontrará as respostas.

Insta recordar a incisiva recomendação do Espírito de Verdade: “Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instrui-vos, eis o segundo” ([ii]), máxima que, por primeiro, reproduz comando cristão por excelência, e por segundo, os passos a serem percorridos pelos adeptos da Doutrina dos Espíritos conducentes à luz do conhecimento, posto serem a única fonte capaz de dissipar a ignorância e sustentar a fé raciocinada, aquela que      sacia para sempre a sede do Espírito. Conquanto dirigida aos espíritas, essa observação superior atende aos seguidores de qualquer religião ou filosofia, que buscam uma sustentação firme para suas convicções.

Com efeito, a libertação decorre do autoconhecimento, renovação e superação, etapas que exigem muita disciplina e estudo. Estudar sempre, para ampliar ilimitadamente o conhecimento, e melhor apreender e desenvolver ideias, de tal forma que a fé contemple a razão, face a face, sem mistérios. Penetrando os meandros do Evangelho e da Doutrina Espírita, que o interpreta sem rebuços, o aprendiz encontrará a verdade, aquela que o libertará, conforme a citação evangélica (João 8:32), eliminando a cegueira obscurecente da visão espiritual. Lembremo-nos que por causa dela que a “Terra está repleta dos que creem e descreem, estudam e não aprendem, esperam e desesperam, ensinam e não sabem, confiam e duvidam”. ( [iii]

O estudo sistemático do Espiritismo oferece ao discípulo os meios teóricos para se tornar um Ser Cristificado, na medida em que lhe responde a todas as dúvidas e dissipa inseguranças. Fiel ao Evangelho de Jesus, descortina, sem tabus, todos os seus ensinamentos, e oferece suporte científico compatível com o aspecto fenomênico equivocadamente rotulado de milagre. Os objetivos de um Curso ministrado em Casas Espíritas são, basicamente: a) propiciar o conhecimento aprofundado da Doutrina Espírita no seu tríplice aspecto: religioso, filosófico e científico; e b) favorecer o desenvolvimento da consciência espírita, necessário ao aprimoramento moral do Ser humano, sempre fiel aos ensinos do Divino Mestre.

A propósito, o Centro Espírita Caminho da Paz ministra Cursos de Estudos Espíritas, elaborado segundo as diretrizes da Federação Espírita Brasileira, acumulando uma experiência de 30 anos.

Independentemente do que fará o aluno após sua graduação, a proposta é auxiliá-lo no despertar da consciência espiritual para uma vida melhor no presente e no futuro. Ajudá-lo a entender e aceitar os revezes desta existência, sem revolta e qualificar seu sentimento em relação a pessoas e coisas. Este é o caminho não só para aqueles que simplesmente simpatizam com a Doutrina Espírita, mas também para quem possua conhecimentos básicos e que gosta de estudar, e igualmente para os engajados nas tarefas de uma Casa Espírita, que pretendam desenvolver sua cultura nesse seguimento.

Acaso o interessado não disponha de tempo para se comprometer com aulas presenciais, recomenda-se começar pela leitura das obras básicas da Codificação de Allan Kardec, aquelas psicografadas por Francisco Cândido Xavier, por Divaldo Pereira Franco, por Raul Teixeira, as de autoria de Yvonne do Amaral Pereira e de Zilda Gama.

Convite feito!

Marcus Vinicius

 

 

[i] A Gênese – Os milagres e as predições segundo o Espiritismo – Capítulo XI – Gênese espiritual – Raça adâmica – Allan Kardec.

[ii] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5 – Allan Kardec.

[iii]Vinha de luz – pelo Espírito Emmanuel, através de Francisco Cândido Xavier – item 34 – Não basta ver.

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