Um dos conceitos mais discutidos entre os espíritas é a transição planetária da Terra, na qual seus habitantes seriam, predominantemente, seres bons. O mal praticamente seria erradicado. Embora se fale muito sobre isso, as pessoas parecem não se considerar inclusas nesse processo, como se elas não tivessem qualquer responsabilidade sobre o resultado.

Há tempo que a Doutrina Espírita aborda esse tema. Em 1971, nosso querido Chico Xavier participou do Programa Pinga-Fogo, na extinta Rede Tupi (hoje SBT), e foi perguntado sobre diversas coisas. O homem havia pisado na Lua dois anos antes e essa proximidade com o cosmos deixara as pessoas perplexas. Dentre as questões respondidas por ele, uma delas se referia a uma decisão do próprio Cristo de que nosso planeta deveria ter seu perfil alterado. E que Ele nos daria um prazo moratório de 50 anos (contados a partir de 1969) para tais reformas.

Havia uma condição: as grandes potências deveriam evitar um conflito nuclear (a terceira guerra mundial) até 2019, o que desencadearia o processo transitório. Chico chegou a citar na TV a data preliminar de 2057 para a nova etapa. Perguntado no programa o que ocorreria, se a Humanidade não cumprisse esses 50 anos, Chico informou que o curso dos acontecimentos globais pioraria, pois a culpa das guerras, doenças e desastres ambientais seriam de responsabilidade do homem.

Se o ano 2057 parece uma realidade distante (principalmente aos que já ultrapassaram meio século de vida), ainda assim é importante lembrarmos que estamos longe de uma visão apocalíptica para marcar esse ajuste. A transição não representa o “fim dos tempos”, como pensam alguns, mas um novo marco para a história da Terra.

E como saberíamos identificar sua chegada? Em primeiro lugar, não aguardando “sinais no céu” ou cataclismas. Comecemos pelo termo transição, que sugere não uma ruptura brusca, ocorrida da noite para o dia, mas um processo gradual, pautado nas mudanças dos indivíduos. Ou seja, não existe regeneração planetária sem que seus habitantes sejam também transformados, “[…] para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado[1].

Em Obras Póstumas, Allan Kardec relata que o conceito de Regeneração da Humanidade[2] é o que melhor se aplica à mudança em curso, pois a etapa provas e expiações seria encerrada. Os Espíritos que não aproveitaram as oportunidades oferecidas em sucessivas encarnações e se mantiveram estacionários em sua trajetória evolutiva seriam realocados em outros mundos de expiação e provas. Em seu lugar, viriam aqueles que se desenvolveram e obtiveram o grau de evolução necessário para catalogar a Terra como mundo de regeneração.

Essa transição não altera as condições físicas do planeta, mas faz com que essas duas categorias de Espíritos se acomodem conforme a partida de uns (estacionários no egoísmo e materialismo) e a chegada de outros (cujo grau evolutivo os faz capazes de impulsionar o progresso da Humanidade). Daí se justificar a terminologia regeneração da Humanidade.

Se precisássemos de “sinais”, bastaria contemplarmos as recentes escaladas convulsões ideológicas por que passam as nações como algum tipo de prenúncio dessa transição. Os registros atuais mostram governos que abusam de seu poderio econômico para fazer sofrer nações menos favorecidas, quer por mecanismos tributários injustos, quer pela influência bélica em conflitos que não lhes dizem respeito – senão pela ganância do poder militar global.

Se tais conflitos nos indicam que a transformação já está em curso, como alertam diversos benfeitores espirituais, importa mais agora como estamos conduzindo nossas ações no hoje, neste momento. Todos temos as informações necessárias para colocar em prática nossa mudança interior rumo à verdadeira reforma íntima. A soma de todos os esforços individuais resultará na verdadeira mudança do coletivo.

Não existe mágica. Não dependemos de sinais bíblicos, mas de cumprir a orientação celestial fornecida pelo Evangelho de Jesus. Quanto mais céleres formos em assimilar e praticar o bem, melhor contribuiremos para acelerar nossa transição. Precisamos vencer nossos próprios testemunhos, buscar uma vida de trabalho pelo Bem e jamais deixar que nossas pequenas incertezas ou limitações emperrem nossa fé: “Mas aquele que perseverar até o fim se salvará” (Mateus, 24:13) e poderá edificar dentro de si o verdadeiro Reino de Deus.

Vanda Mendonça

 

[1] A Gênese, cap. XVIII, item 7 a  24;

[2] Obras Póstumas, cap 31, 4º parágrafo;

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