A pequena cidade estava em alvoroço. Um grupo de comerciantes promovia uma grande atração, naquele domingo, prometendo atividades e diversão ao povo.

Logo cedo, uma corrida de bicicletas faria o contorno da cidade, passando pelos principais pontos.

A chegada final e a premiação seriam na praça central. O vencedor ganharia uma bicicleta nova, que estava exposta enfeitada com laços de fitas coloridas.

Depois, haveria uma gincana para a criançada com uma infinidade de prêmios para os vencedores.

Lanches, sucos para todos, guloseimas e muita alegria, era o que prometia aquela manhã de domingo.

Ao som de música alegre, foi dada a partida e começou a corrida de bicicletas.

Os amigos Ana e Luiz ficaram próximos e seguiam, pedalando com vontade.

De repente, foram ultrapassados por outro competidor que, agressivo, gargalhando, esbarrou em Luiz, por pouco não o derrubando.

A resposta do rapaz foi acenar, sorrir e prosseguir pedalando.

Ana irritou-se e, inconformada, perguntou ao amigo como ele conseguia não reagir àquela maldade.

A resposta foi igualmente calma: Não costumo assumir o latão de lixo dos outros.

A amiga continuou intrigada, não entendendo o que ele queria dizer com aquela expressão.

Então, continuando suas pedaladas, Luiz explicou que todos temos nossos lixos internos. São o azedume, o ciúme, a raiva, a inveja e outros sentimentos do gênero.

Quando nosso latão de lixo começa a transbordar, muitos de nós costumamos despejá-lo em quem está próximo.

Basta que entremos nesse clima de desafio e ficamos atolados no tal lixo, que não vemos, mas que nos deixa totalmente contaminados.

E concluiu, sorrindo: Tenho procurado me controlar para não aceitar o lixo dos outros. Afinal, basta o meu, que estou buscando decompor para adubar minhas flores.

 

Pequeno leitor

Neste mês de agosto nossa história nos leva a refletir sobre a importância de distinguir os bons dos maus sentimentos, escolhendo sempre os que são melhores para nós.

Estamos acostumados a olhar só para o exterior das coisas, das pessoas, isto é, preocupamo-nos apenas com o que vemos por fora. Por exemplo, se alguém é bonito ou feio, alto ou baixo, magro ou gordo, velho ou moço etc..

Porém, para ver o interior, o que está dentro, precisamos desenvolver a capacidade de perceber o que não se vê com os olhos físicos, mas com a alma…

Quando conseguimos isso, passamos a entender melhor as emoções, os pensamentos das pessoas com quem convivemos.

Esse fato nos dá a possibilidade de aceitar ou não o comportamento delas.

Quando aceitamos, dizemos que temos sintonia com ela; caso contrário, nossas emoções vibram em campos diferentes, não há sintonia.

Luiz, o garoto de nossa história, não reagiu diante da maldade do outro competidor.

Questionado por sua amiga, respondeu-lhe que não costumava “assumir o latão de lixo dos outros”.

Amigo leitor, olhe só quanta sabedoria nessa resposta.

Luiz logo identificou os maus sentimentos do rapaz que quase o derrubara. Percebeu sua má intenção, e simplesmente acenou e sorriu para ele. Não assumiu a inveja, o ciúme, a raiva do outro. Não entrou na “faixa vibratória” daquele rapaz.

Se todos nós tivéssemos essa compreensão, nosso mundo seria diferente. Viveríamos mais tranquilamente.

Todos temos nossos “lixos” particulares, que devemos combater. Não é razoável, portanto, que aceitemos o dos outros, aumentando nossa carga negativa.

Saibamos realizar escolhas acertadas, corretas, desejando o melhor para nós mesmos.

Afinal, enquanto existem pessoas acumulando lixo em sua intimidade, muitas outras espalham o perfume e a delicadeza de suas presenças.

 

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