“[…] E Deus fez a luz – afirmam as mais remotas tradições históricas do conhecimento, fundamentadas na análise dos livros religiosos da Humanidade.
E ao fazer-se a luz foi facultado que o Sol aquecesse, iluminasse a Terra e os demais astros que gravitam em sua órbita.
Nos cem bilhões de sóis da Via Láctea e nos cem milhões de galáxias, que aproximadamente existem, quase todas maiores que a nossa, se configuram os planos do Universo desafiando a inteligência humana a fim de que o homem penetre no Amor, e este responda sobre a grandeza da Vida, pois que todos os demais caminhos sem o amor, conduzem, normalmente, à falência dos desejos e ambições, com pesados tributos de desenganos e frustrações.
[…] Acima, porém, e imediatamente, antes que o homem não se penetre da necessária capacidade de entender as gloriosas elaborações da “Casa do Pai”, deverá mergulhar no labirinto de si mesmo e compreender a urgência de aplicar as regras do Evangelho de Jesus no comportamento diário para habitá-la e fruí-la por fim, quando despojado da pesada indumentária dos parcos sentidos”.(1)“A Casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infnito e oferecem aos Espíritos que neles reencarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos”. (2)
Na Idade Média explicava-se que as estrela fulgurantes no infinito eram lâmpadas mágicas para iluminarem a noite por misericórdia de Deus.
O grau de desenvolvimento cultural e intelectual dos Seres de então era limitado. Permaneciam presos aos interesses da sobrevivência em ambiente físico, social, político e religioso. A religião era castradora das expressões de liberdade, do conhecimento e da felicidade.
Ainda hoje há resquícios desse tempo.
Os dogmas perversos naquela cultura primitiva, impediam a compreensão do ensinamento de Jesus, que procedia de outras esferas.
A Terra, então considerada como centro do Universo, segundo a mentalidade religiosa daqueles dias, era um vale de lágrimas, um lugar de desterro para uns e lugar de gozo e delícias para outros (os que estavam no poder político e religioso).
Entretanto, Jesus nos apresenta os diferentes mundos da Casa do Pai, como moradas que são oferecidas ao Espírito segundo seu grau evolutivo, o que nos dá a entender que a diversidade dos mundos está relacionada com o progresso espiritual dos Espíritos que os habitam. Cada um, portanto, oferece aos seus habitantes as condições de que necessitam para sua ascensão. Essa triagem, sem dúvida, obedece à Lei de Causa e Efeito.
Como se vê, caro leitor, tudo se encadeia no Universo, e ninguém burla a Lei que é Justiça e Amor.
Todos esses globos guardam a expectativa de que evoluindo seus habitantes, também eles possam evoluir. Tomemos como exemplo a nossa morada, o Planeta Terra. Em breve tempo deixará de ser um mundo de Expiações e Provas, tornando-se Mundo de Regeneração. Alcançará essa condição quando seus habitantes houverem, por sua vez, atingido o grau evolutivo necessário para que ocorra a mudança.
O leitor poderá objetar que ainda há muito mal, violência e desgraças motivadas pelo Ser humano. Sim, mas não podemos olvidar que a separação do joio e do trigo será efetuada sem
delongas, aliás, já vem se processando, embora não a percebamos, dando ao Planeta a oportunidade de ascensão na escala dos mundos.
Para entendermos como se processa essa expectativa, Emmanuel estabelece uma analogia com as fases da vida humana durante uma encarnação.(3)
O Espírito reencarnante, quando chega ao berço de um lar é acolhido pelos pais que o embalam com carinho e plenos de esperança (expectativa) para que seja em casa o esteio da segurança.
Ao atingir a idade escolar, passa a ser para os mestres, o fruto do seu ensino.
Na juventude, quando desponta o serviço na profissão que escolheu, os dirigentes e superiores contam com ele para dignificar o trabalho.
Adulto, na constituição do próprio lar, Espíritos afeiçoados e amigos lhe aguardam generoso concurso para recebê-los como filhos.
Nos círculos da fé religiosa, companheiros de ideal esperam seu apoio nas iniciativas mais nobres.
Nesse processo podemos perceber que as criaturas e situações que nos cercam dando-nos apoio, criam expectativas em torno do que fazemos e realizamos.
Assim também os mundos.
Todavia, grande é o número dos que reclamam do mundo a que foram destinados viver.
Desconhecendo ou fechando os olhos a tudo o que mundo lhes oferece, tornam-se reclamadores contumazes sem refletirem se são merecedores de melhores condições. Em vez de cultivar o mau hábito da queixa, devem acatar a justiça divina, de forma a melhorar suas condições morais e espirituais. Dessa maneira estarão colaborando com a melhoria do Planeta onde habitam, tornando-o um mundo melhor.
“A existência terrena deve ser vivenciada com prazer e emoção, face à riqueza de experiências que oferece, auxiliando o Espírito a desenovelar-se das faixas inferiores das paixões.
Não se trata do prazer obtido pelos vícios, mas daqueles que estimulam o avanço e compensam os cansaços e aflições dos empreendimentos humanos.
Jesus-Homem não apresentou métodos, técnicas, condutas especiais para se conseguir o reino. Ele é tudo isso, viveu todas essas expressões, apontando as moradas que existem na Casa do Pai”.(4)
Yvone
Fontes de consulta:
(1) – Estudos Espíritas – Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco – cap. 2
(2) – O Evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec – cap. III, 2
(3) – Livro da Esperança – Emmanuel / Francisco C. Xavier – cap. 4
(4) – Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda – Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco – cap. 4